VerbAll

fevereiro 5, 2010

Bom, um amigo meu me convidou para escrever no site dele, e eu aceitei o convite.

http://www.verball.com.br/

Adeus WordPress, foi bom legal enquanto durou.

Parte um : Um novo dia.

janeiro 10, 2010

Saltei do taxi, atônito:

– Trinta reais para ir à escola – resmunguei em um tom imperceptível, silenciado pelo motor do carro que arrancava com o motorista esbanjando um sorriso. –Acho que era por isso que a minha mãe tinha motorista– pensei.

Um senhor estava parado olhando alguns papeis e me permiti observá-lo por alguns instantes. Estava destacado em frente a um muro cor verde-musgo com algumas plantas desenhadas, numa falha tentativa de imitar a natureza.

– Primeiro dia? Qual seu nome? – disse rapidamente, sem me permitir responder a primeira pergunta.

– Augusto.– Corrigi-me rapidamente quando percebi o olhar do senhor como se eu tivesse falado algo extremamente redundante – Augusto Machado–.

– Descendo a escada, a sua esquerda. Aguarde no salão junto com os outros garotos– foram as instruções dadas por ele, após riscar o meu nome da lista, transparecendo em sua voz um tom de certo autoritarismo.

Estava mais para um pátio do que um salão. Acredito que deveria ter algo em torno de 50 alunos lá. Todos pareciam aguardar alguma coisa, alguns em pé, outros sentados, em volta de uma grande árvore.

Fazia um bonito dia, percebi isso assim que entrei e reparei na ausência de um teto, provavelmente, devido à presença da árvore. Esse foi o meu principal motivo quando afirmei ser um pátio, e não um salão.

Conforme eu ia descendo a escada em direção ao pátio, uma sensação estranha crescia dentro de mim. Parecia que eu era o centro das atenções. Talvez porque as pessoas, que antes estavam conversando entre si, foram silenciando-se gradativamente e, de maneira bastante grosseira, começaram e me olhar.

Estava claro que, apesar de ser o primeiro dia de aula, não havia outros alunos novos.

Aos poucos, as pessoas voltaram a conversar entre si. Aproveitei esse momento para, de baixo de uma pequena sombra, aguardar pelas palavras do palestrante. Confesso que esses poucos minutos no qual as pessoas ficaram-me olhando, foram suficientes para me deixar intrigado. Acho que, pela primeira vez, estava ansioso.

Quarenta minutos passados, utilizados para formar minha primeira e péssima impressão do lugar, um homem de seus 40, 45 anos, usando um terno encardido na cor marrom claro, subiu num pequeno e improvisado palanque. Os alunos ficaram de pé e viraram sua atenção para o homem:

– Para muitos daqui, hoje é a primeira vez que vocês se encontram. – Essas palavras soaram vazias dentro de mim, tinha certeza que eu era o único aluno novo. – O ensino fundamental acabou e vocês estão agora entrando numa nova fase de vida, onde suas responsabilidades… –

A voz do palestrante, que eu posteriormente descobri ser do diretor, ecoava sem sentido. Talvez fosse pela minha ansiedade do momento, ou o fato dos quarenta minutos em pé esperando fizessem com que eu acreditasse que aquela instituição de ensino não tinha consideração com os seus alunos, não sei ao certo, mas eu não consegui prestar atenção no que ele falava.

Suas palavras apenas não atraiam minha atenção.

No fim do seu discurso, os alunos foram encaminhados para as suas salas. Um funcionário da escola me indicou o caminho.  Minhas aulas, a partir daquele momento,
seriam na sala A-01.

No fundo do pátio, subindo uma escada à direita, ficava a minha sala. Uma sala retangular, com umas 30 mesas espalhadas de forma assimétrica, um par de ar-condicionado no fundo dela, e do lado oposto um quadro negro. Para minha surpresa,
a sala era até que bem confortável. Peguei minha mochila e meu caderno, que por alguma razão eu segurava de baixo dos braços, escolhi o lugar mais longe do quadro, do lado direito da sala na parte de trás, e sentei.

– Daniel. Dani, pode me chamar de Dani–

Estendeu o braço em minha direção, como se fosse me comprimentar.

Olhando para ele, um garoto de média estatura, magro, usando óculos, respondi:

– Augusto.– E em um movimento rápido, o cumprimentei.

Para minha alegria, nesse momento o professor entrou na sala e os alunos se sentaram. Digo “minha alegria”, pois sou uma pessoa pouco sociável, não queria conversar com ele. Pelo menos, não agora.

E, como um bom garoto rebelde, abaixei a cabeça em cima da minha mochila e apaguei.

Passados um bom tempo, posso afirmar, pois o professor que se fazia presente no momento não era o mesmo de antes, eis que sinto uma pressão no meu ombro esquerdo:

–Está dormindo? – perguntou uma voz que eu não fazia idéia de quem fosse.

–Não, treinando para quando morrer– respondi com sarcasmo, a raiva transparecendo a flor da pele, antes de perceber que a voz vinha de uma garota. Linda, eu pensei.

–Há há, primeiro dia e você já perdeu três aulas seguidas– respondeu a linda garota, com voz angelical.

Então foram três, e não duas como havia pensado.